Um novo tempo se inicia em mim

– Juro nunca mais beber – e fez o sinal-da-cruz com os indicadores.
Acrescentou:
– Álcool.
O mais, ele achou que podia beber.
Bebia paisagens, músicas de Tom Jobim, versos de Mario Quintana.
Tomou um pileque de Segall.
Nos fins de semana, embebedava-se de Índia Reclinada, de Celso Antônio.
– Curou-se 100% do vício – comentavam os amigos.
Só ele sabia que andava mais bêbado que um gambá.
Morreu de etilismo abstrato, no meio de carraspana de pôr-do-sol no Leblon, e seu féretro ostentava inúmeras coroas de ex-alcóolatras anônimos.

Caio Fernando Abreu

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
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