Aquele Domingo

E nada será igual…
Nada mais será como era
Antes daquele domingo de cores supersaturadas
Uma mistura de dor e alivio
De uma forma estranha se espalhava em mim…
E tudo parecia um sonho
O mais real de todos os sonhos que já vivi.
“Mas o que houve, afinal?”
Perguntavam-me aflitos
Como poderia dizer o que houve?
Nada específico aconteceu
Nada além de um maremoto de emoções
Emoções condensadas e indefiníveis
“A vida é imensa”
Não é algo que se possa definir
É algo pra se sentir
E eu senti afundo!
Fui no cerne do sentir em mim
Eu sentia que tudo que há anos
Vivia trancafiado no interior de minha essencia
Resolveu se libertar!
Por isso eu chorava:
Chorava pela cor das flores
Pela dor da saudade
Pela força do sol
Pelas paixões não concretizadas
Pela imensidão do céu
Pelos sonhos guardados
Pelos muros que construí
Pelas poesias dos livros fechados
Pela bossa nova que entope minhas veias
Pela humanidade toda
E pela vida que eu parecia ter deixado de viver.
O mundo, olhando assim
Parece tão surreal
Mas ao mesmo tempo
Vi coisas que nunca tive a lucidez de enxergar.
“Com os meus olhos molhados vejo a vida tão diferente”
E nem sei por quê…
E nem quero saber!
Meu coração é um vulcão feroz
Que dilacera sua larva
Por isso não lhe adiantam
Racionais explicações cientificas
Classificações nosológicas
Ou teorias etiológicas…
Eu só preciso poder sentir!
Sentir tudo o que a vida me pode oferecer
Quero experimentar todos os sabores da vida
Quero desvendar todos os mundos que existem
E os que não existem também!
Senti-los na carne.
Naquele domingo de ressaca…
Depois de tantas sujas noites de sensações momentâneas
Bebidas fortes, músicas podres, falsos amores
Algo em meio a isso tudo
Pareceu eterno.
Então veio o ardor de se olhar no espelho
E saber que nada adiantou
Pois as feridas continuam ali
Os demônios que eu mesma criei
Ainda habitam minhalma
E ainda sinto falta de tudo que não foi
Mas continuo respirando.
Bem dizia Vinicius:
“Dia de festa é véspera de muita dor”
Não sei até quando o mundo vai esperar sentado
Eu decidir viver.
As lágrimas que derramei
Foram por todos
E ao mesmo tempo por ninguém
Não sei se foi pelas coisas que tomei
Ou porque a vida dói tanto que decidiu explodir
Não sei se o mundo
De tão magnífico que é
Chega a ser pesado demais pra mim
Então eu choro…
Numa tentativa de amar o que me faz sofrer
E eu, infantilmente me engano
Acreditando que a vida
Não é um imprudente sonho de ser feliz.

Cecília Richter

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
Esse post foi publicado em de minha autoria, pensamentos. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Aquele Domingo

  1. renata martins disse:

    cara, chorei.

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