Uma lembrança de um tempo em que viver não doía tanto

Eu tinha este olhar ingênuo e este sorriso doce
Porque ainda não sabia o quão perigoso é viver.
Tinha o peito jorrando sonhos e flores
Não via maldade, não havia maldade.
Mas um dia, de repente, eu cresci
E não me foi perguntado se assim eu queria que fosse
O mundo, pouco a pouco, foi rasgando meus sonhos
Dando-me tapas na cara e me gritando nos outdoors
Que a vida real é brutal e sem poesia
Hoje meu olhar é mais amedrontado
E séria eu me calo.
Calo-me diante de tudo que violentamente aprendi
Que a dor é inevitável para quem quer viver com paixão
Esse é o preço que eu escolhi pagar: viver, não apenas respirar.
Mas guardo como uma espécie de relíquia esse retrato
Como uma lembrança de um tempo em que viver não doía tanto

Cecília Richter

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
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Uma resposta para Uma lembrança de um tempo em que viver não doía tanto

  1. renata martins disse:

    vero….

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