Ninguém além de mim

Ninguém além de mim
Sabe do quanto é pesado e maravilhoso ser eu
E se eu transbordo é porque às vezes
Não sei dar conta dos meus excessos.

Outros podem até ouvir os meus gritos
Mas só eu sei da dor que sinto na garganta
Podem ouvir meus discursos
Verem-me na rua cambaleando
Ler as palavras brutas que vomito
Mas quem vê de fora
Não está dentro
(embora dentro de mim tenha
tanto do mundo lá fora)

Mais ninguém no mundo sabe
Do mundo sutilmente desesperador
Do qual eu faço parte
E da sua finitude bruta, incoerente
Insensata, imprevisível, lírica
É um interior surpreendente
E assustador
Mas é meu.

Eu busco respostas
Nos livros existencialistas
Nas substâncias psicoativas
Nos olhos aleatórios
Mas sempre vejo que
Ninguém além de mim
Tem essa vida imensa
Que chamo de minha

Ninguém além de mim
Percorre todos os dias
Esse vasto mundo
Violentamente dilacerante
Que se chama
Meu mundo interior

E o que mais me assusta nisso tudo
É saber que
Ninguém além de mim
Pode saciar a minha incompletude.

Cecília Richter

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
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