Preto e Branco

Eu gosto do preto e do branco.
Por que essas cores me remetem ao meu passado.
E volto a sentir-me como um pássaro calejado
Que, de tanto voar
Na vertigem de um céu tão cinza
Esqueceu de sentir e amar
O leve gosto da brisa.

Gosto do preto proficiente
Que se desfaz sob o chão
Ao sentir-me inerte.
Oh! Preto tão cheio de nada
Tão obvio quanto o martírio e a fantasia
Da partida e da chegada.

Gosto do branco castigável, de tão frio.
Frieza, desconheço há tempos.
Quem predomina aqui, é um olhar vazio.
Querer e negar
Contradição de um mistério sincrônico
A vida não passa, meu bem
De um simples engano irônico.

Por isso o preto e branco
Sigo a cultivar
O sangue que há anos estanco
Há de um dia, no sopro da melodia
A mim, se curvar.

Na transparência do branco
Ou na obscuriedade do preto
Sei que esquecerei sutilmente
A fúnebre dor de cada momento.

Cecília Richter

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
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Uma resposta para Preto e Branco

  1. Ramiro Catelan disse:

    Tu tá me deixando com vergonha dos meus textos. Really, tu é muito boa. Deveria divulgar mais teus textos. Eles têm pegada, tocam, respiram. Gostei muito, particularmente desse.

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