Devaneios sobre a Psicologia Familiar

A psicologia parece não querer rever seus arcaicos conceitos sobre constituições familiares. Conceitos esses que seguem velhos moldes de família, com papéis rigidamente estabelecidos e com funções limitadamente determinadas. Baseadas no modelo de família patriarcal, exclusivamente monogâmica e heterossexual, as teorias estão todas prontas: é só tirar da gaveta e aplicar.

É bem mais fácil resistir a outras formas de relações do que rever todas as teorias. É bem mais cômodo isolar comportamentos que saiam do “padrão de normalidade” e classificá-las como patológico do que repensar todos os conceitos. É bem menos trabalhoso se apoiar em modelos familiares de uma teoria feita em 1900 num sofá de veludo de um consultório de Viena do que olhar para o hoje, 2012, Porto Alegre, Brasil, com todas as especificidades da realidade local e todas as mudanças importantes que ocorreram desde então nas esferas sociais, históricas, políticas, religiosas, econômicas e familiares.

É preciso olhar antes para o mundo que nos cerca, nos despirmos de pré-conceitos, desligarmos o botão automático do enquadramento e da patologização indiscriminada, parar e voltar-se para o ser humano que está ali na nossa frente e no contexto pelo qual ele está inserido. E só depois pensar nos conceitos.

Que não esqueçamos, nem por um segundo, que vivemos numa sociedade doente e que os fármacos estão aí para nos fazer não ver isso, que não deixemos de olhar para o âmbito social das relações, que não sejamos reprodutores passivos de velhos dogmas, que nunca deixemos de ver o outro como um ser humano digno de respeito e confiança,  que não sejamos “psicóticos com respaldo científico”: minados de teorias, técnicas e testes, mas sem conexão com a realidade que parece intolerável. Que a mudança nunca, nunca nos pareça intolerável.

Cecília Richter

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
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6 respostas para Devaneios sobre a Psicologia Familiar

  1. Léo Bosso disse:

    Afinal, a individualidade humana está acima de tudo e basear-se numa teoria em casos semelhantes pode ser uma conclusão errônea! Cada caso é um caso, sempre!

    • Richter disse:

      Não acho que a individualidade humana deveria estar acima de tudo, mas enfim..

      • Léo Bosso disse:

        Eu digo no sentido de cada pessoa ter suas próprias alegrias, seus medos, seus anseios, seus sonhos e justamente por isso não devemos generalizar o ser humano e sim tratar cada um como único. Afinal, cada um tem o seu valor e essa é a beleza do ser humano!

  2. Richter disse:

    Isso pra mim é respeito a singularidade. É que “individualidade” me soa como falta de coletividade.

  3. Lorem Ipsum disse:

    Eu acho que os teus seios deveriam estar na minha boca, pois só isso interessa e é só isso que todos que estão à tua volta desejam de ti.
    Por que tu é muito gostosa e não passa disso.

    • Richter disse:

      Tenho absoluta certeza que muitos sabem que eu sou muito mais que uma “gostosa”. E outra coisa: alguém que acha isso NUNCA vai ter o meio seio na boca nem mais nada de mim a não ser pena.

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