Esquizoanálise da Subversão

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Esse tal de Estado Democrático de Direitos é o mesmo que adestra desastres. Essa pátria que me pariu vomita ordem e solidão. Só lhe dão não. Os panópticos excitam carrascos e o PIB é puro punheterismo falocêntrico. Sobreviver sem tornar-se ratinho de Skinner e jorrar coletividades deleuzianas: eis o desafio. Transmutar as ausências e os excessos. O corpoema existencial não capturado pelo marxismo que Dali usaria como supositório se estivesse vivo a tempo de criar Zonas Autônomas Temporárias. Esse teu pacifismo cloacal nega a intensidade dos presídios, dos cosmos, dos transeuntes, das misérias. Vá capturar a transgressão criadora da sua vó! Da UPP, da CIA, da Interpol! Da merda da ciência positivista que quer medicalizar nossos desejos pintados de coragem. Humor negro é o meu dedo no teu cu! Nós, desviantes polimorfxs, queremos desterritorializar o privado, sabotar os hospícios, menstruar nos patrões, catalizar os dadaismos, insurgir o descontrole, okupar os conventos, defecar nas igrejas, libertar o kaos, desmarginalizar as rupturas, desobedecer a legalidade e cuspir no indigesto. Na casa, no trabalho, na rua, na cama: horizontalidade fenomenológica radical. Reinventar a trama processual autogestionária de um despir-se coletivo e catártico. Afetar-se pelas intensidades sensíveis da porra líquida do Bauman. Não há nada mais subversivo que a loucura. O noopoder da vagina pós-estruturalista quer simplesmente ser. Falsas dicotomias sincronizadamente caóticas segregam autonomias. Resingularizar um pai de santo em época de Copa do Mundo. Questionar qualquer teoria cientifica que não for amplamente discutida em assembléia popular. Os muros foram feitos para serem pixados, sequestrados, musicados e derrubados. Nem tente despolitizar o meu gozo! Pau no Freire, não! Quanto mais pessoas souberem melhor: autobiografias apelativamente manchadas de tinta são ocidentalizadas pela subjetivação capitalística que violenta cotidianamente a dignidade humana. Submundo! Rizoma globalizado! Surto psicótico sem sabor! Estado de exceção maniqueísta! Neoliberalismo necrófilo que faz tratamento moral de forma sutil e visceral, com seu higienismo microfascista, com seu pão e circo transbordando salmonela e lágrimas, com esse terrorismo publicitário heteronormatizador padrão eurocêntrico que se espalha em todos os espelhos do mundo. Resquícios de sociedade disciplinar que tutela nossas anarkaexistências, que verticaliza nossas marginalidades e que patologiza nosso maravilhoso impeto revolucionário. Spinozeamos o cotidiano, desinstitucionalizamos nossas indignações, metaformoseamos nossos abolicionismos, desautorizamos nossos privilégios. Mas sem culpa que é palavra cristã. Mulheres, com ou sem útero: suportem quando o signo, o significante e significado não lhes forem palpáveis (mas há que se sonhar de olhos abertos). Que se afoguem nos seus conformismos solitários os burocratas de Estado. E que levem junto os médicos castradores de kaos com suas pseudo-neutralidades normatizadoras. Eu é que não vou adaptar o desadaptado! Meu corpo é dócil como um limão! Eu não quero saber de nada que não seja confusão. Eu quero a klínica krítica da ebulição, aprender e ensinar recíproca e micropoliticamente em processos fluídos de muito afeto-desconstrução. Lemiskiando nossas utopias, insurgindo a somaterapia popular da vida. Dispositivo ebulidor de subversão e desejo. Doloroso desdobrar-se sem deixar rastros. Amor que não é livre não é amor. Descontrole copyleft foucaultiano. Minha sexualidade é um vulcão antitotalizante de difícil manuseio, principalmente quando entra em erupção. Subverdades ressonantes do sistema carcerário que pune as vítimas seletivamente conforme seu estrato maquínico, seu status falocêntrico corporativista e seu poder de compra. Metodologia desejante coerentemente contraditória: vou kortar sua pika! Nise da Silveira que nos salve! Carcará pré reflexivo que antes mesmo dos black blocs já botava os puliça pra correr na pedagogia da seringa. Sobriedade incorpórea transmaterial não tem êxodo rural mas tem muito sabor de autonomia zapatista de combate: submissão é a morte! Nossa práxis é de pouca imanência, muito estrago e fácil transmutação: NO PASSARÁN! Nosso terrorismo é pura ação de indagação sistêmica contra o CIStema. Perder-se na osmose atemporal dos psicotrópicos tipo capim-loucura, mas nunca esquecer dos mora-dores de rua. A desumanidade tem cor, gênero, classe social, legislação, cadeira no senado e aparato militar. Identidade nacional? Colonizado que coloniza os seus pares, referencia e recebe bem o colonizador ambicionando um dia também tornar-se um. Mas nós, que nos rebelamos contra essa pátria imprópria, racista, amarga e sanguinária, declaramos guerra contra a ordem, a ordem que tenta domesticar nossos corpos vibráteis e catequizar nossas vontades, nós declaramos guerra contra o progresso, o progresso que invade nossas malocas, imperializa nossa antropofagia e faz dela monstruosos estabelecimentos comerciais. Nossos corpos quentes foram feitos para aquecer uns aos outros, não para dar lucro. Mais que existir é preciso resistir! Antonio Conselheiro e Tupac Amaru deram a letra: onde a injustiça for inflamável há que se ser piromaníacx! O sangue que corre nas minhas inquisições jorra nessa afecção niilista e vez em quando entra em colapso pulsante tornando-se uma guerra civil intracorporal. Certo dia conheci uma senhora de 84 anos que me contou da sua vida, dos seus planos e da sua crimidéia explosiva: aglutinar máquinas desejantes, fazê-los incitar a rebelião e construir barricadas para garantir o recuo daqueles que querem capturar nossos investimentos libidinais libertários. “Nem esquerda, nem direita, viva a hipomania!”, disse ela, contando que recebeu o diagnostico de Transtorno de Humor Popular. Nada nunca, em hipótese alguma, deve ser universalizado. Toda generalização, sem exceção, é um equívoco. Bomba atômica coprolálica, agenciamento suicida de acumulo de capital, método coercitivo de controle dos discursos sancionados por quem esqueceu de contar o número das mulheres que foram mortas vítimas do abordo ILEGAL. Dismorfia paranóide que não deixa nenhum pseudônimo escapar: aburguesamento vitalício! Substâncias psicoativas que nos jogos de verdade ganham vida e viram alvo de guerra. Ignorância compulsória! Hipocrisia polivalente contemporânea que faz ter um senhor feudal em cada sarjeta. Mas ainda há tempo: a gestalt da transmutação subversiva ainda está em aberto. O dia está próximo! O dia em que todxs xs divergentes do mundo e suas múltiplas logorreias transgressoras irão se unir de forma não massificada contra essa ditadura de mercado e essa sutil dominação tirana vigente sob forma de um rizoma interminável de potência revolucionária. Mas enquanto esse dia não chega, ao contrário do que fazem os marxistas masturbadores de intelecto, não ficamos só nos livros, sabotamos qualquer mínimo indicio de poder castrador, nos deliciamos na resistência micropolítica que subverte o biopoder, resingularizamos nossas autonomias autopoéticas criadoras, decaptamos relações de submissão e transformamos nossas magnificas e sensuais experiências transgressoras na indecência modesta de um novo paradigma ético, estético e político, ou seja, artístico: a esquizoanálise da subversão.

Ciça Richter

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Sobre Richter

A realidade não me é conveniente.
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