Mora-dores de rua

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Subjetividades autopoéticas

São sutilmente amedrontadas

Corpos e espaços

São diariamente moldados

Com um autoritarismo consentido

Autonomias são capturadas

Mas de repente olho pro lado

E vejo que nem tudo pode ser adestrado

Mais que existir, é preciso resistir!

A dignidade humana

Não é uma égua a ser domada

As vidas são obras de arte

E não podem ser comercializadas

A rebeldia que jorra

Violentamente nos nossos corações

Não pode ser e nunca será

Pacificada

 

Cecília Richter

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Lo que me encantó de ti

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Me encanta cuando pides que yo escriba para ti

Entonces yo ire hablar lo que en ti me encantó:

Me encantó tu rebeldia

Me encantó tu sotaque italiano entrelazado con mi portuñol

Me encantó poder amarte de forma libre y loka

Me encantó la agressividad que tienes para luchar contra la opresión

Me encantó cuando deconstruyei los estereotipos de genero y la heteronomatividad

Me encantó tu boca suave hablando palabras poeticas y en guerrillas

Me encantó tu piropo anarkiko adentrando en mi vulva libre

Cecília Richter

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A resistência em forma de ação direta não é nada violenta perto do genocida mais respeitado do mundo: o capitalismo

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Violenta é essa ditadura de mercado.
Violenta é essa realidade, onde têm gente morrendo de fome todos os dias.
Violenta é essa policia que protege quem toma champanhe e bate em quem cata lixo.
Violenta é a tropa de choque e se engana que acha que estão ali para garantir a segurança das pessoas. Eles estão ali para defender a propriedade e para isso usam cassetete, armas de fogo, bombas e o que mais for preciso.
Violenta é essa mídia que distorce, mente e manipula ao ponto de fazer o oprimido defender o opressor.
Violenta é a coerção do estado, que faz com que vidas sejam descartáveis em nome da ordem.
Violenta é a campanha eleitoral que estupra todos nossos sentidos a todo o momento, em todos os lugares, iludindo a todos dizendo que o voto muda alguma coisa.
Violenta é a lógica pacifista, que leva sempre a não-ação e ao não-enfrentamento.
Violenta é a pessoa que é omissa, pois a omissão é uma permissão para que injustiça social siga existindo.
Violenta (e perigosa) é a paz onde há exploração e não há igualdade.

Ciça Richter

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No que eu acredito?

Eu acredito numa prática terapêutica de cunho político-social, que respeite a singularidade de cada sujeito, que combata a lógica desumana da prisão manicomial, que seja contra a patologização indiscriminada das manifestações humanas e a mercantilização da saúde. Um espaço onde a arte possa ser usada como instrumento que possibilite a produção de subjetividades autopoéticas, onde a liberdade, a autonomia e o altruísmo sejam constantemente incentivados. Que se lute de fato pela inclusão social dos usuários de serviços de saúde mental: tratar sem trancar. Que se trabalhe para que cada indivíduo seja o protagonista na construção da sua história de vida e que, principalmente, seja uma prática que respeite e valorize, acima de tudo, a dignidade humana.

Cecília Richter

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Ser humano nesse mundo de animais

Minha sede de mudança é muito maior do que os meus pés são capazes de suportar. E por isso eles hoje estão tão calejados. Nasci para bater de frente com a vida, sentir o mundo na pele, tomar a dor dos oprimidos num só gole e percorrer os dias de uma forma fugaz e urgente. Por isso acho que se eu acreditasse em destino diria que o meu é lutar por liberdade. Sempre fui de nadar contra a maré. Prometi para mim mesma não me deixar levar pela correnteza. Até hoje eu pago caro por essa promessa, porque abri mão do mais fácil, do mais cômodo. Deixei de ser o que queriam que eu fosse para me tornar outra coisa. Alguma outra coisa que eu ainda não sei bem o que é, mas que aprende a cada dia a aceitar os seus defeitos, assumir as suas culpas, não se entregar a passividade, questionar o inquestionável, nunca perder a sensibilidade e aprender a beleza e a dor que é ser humano nesse mundo de animais.

Cecília Richter

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Tá foda crescer

Que agonia que me dá

Quando eu sinto no osso

Essa norma imposta

De que devemos nos tornar adultos

E isso pra mim tá tão difícil

Que a única certeza que eu tenho

É que eu queria ser

Sempre criança

 

Cecília Richter

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Um recado dadaísta a Marx

Tio Karl:

Eu lia sobre sua teoria e achava que compartilhávamos algumas utopias.

Mas quando eu fui ler sobre a sua vida decepcionei-me.

Decepcionei-me com algumas características suas um tanto quanto tiranas.

Eis que para elaborar essa quebra de idealização, recorro aos anagramas e ao dadaísmo.

TRABALHADOR

TRABALHA A DOR

TANTA DOR

Estou tentando trabalhar a minha dor.

A minha dor, que é a dor do trabalhador.

TRABALHO

TRA(BA)LHO

TRALHO

TRAIO

BA

Eu traio minha ideologia enquanto trabalho?

Pensar para trabalhar ou trabalhar para pensar?

Não quero mais saber de conservadorismo, conformismo, comodismo, consumismo.

– E do comunismo?

TRABALHADOR

RODAHLABART

RODAHLABART

RODA

RODAHLABART

LADO

RODAHLABART

BAR

RODA = MUDA

MUDA + LADO + BAR

Trabalhador: muda de lado e vai para o bar!

E se, um dia, o trabalhador não for trabalhar, ir para o bar e resolver mudar de lado?

Até já imagino os vizinhos tentando explicar:

– Virou vagabundo!

E a sua esposa preocupada tentando entender:

– Ele não quer mais trabalhar, só quer pensar!

E eu o diria:

– Ele tem é que pensar em um jeito de não trabalhar mais sem pensar!

CONSCIÊNCIA DE CLASSE

CONSCIÊNCIA

COM(S)CIÊNCIA

COM CIÊNCIA

CLASSE

CALE-SE

COM CIÊNCIA? SEM CIÊNCIA!

CALE-SE? SEM CALE-SE!

Sem ciência, sem cale-se!

Com humanidade, não obedeço!

Vá para o inferno com a sua ciência!

Vá para o inferno com o seu autoritarismo!

Assinado: uma estudante de psicologia que não se enquadra no estereótipo de psicóloga, comunistaanarquistaexistencialistapós-modernafeministalatino-americanahumanistaalcoólatradistraídadesastradacantora-frustradamaconheirasensívelfoucaultianacancerianabissexualnão-monogamicamíope 3.25freirianaimpulsivasurrealistaagnósticaaflordapelesonhadoraperdidanavida.

Cecília Richter

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